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Ex-porteiro chega a Brasília

ED Alves

Suspeito confessou o triplo assassinato e afirmou que teve a ajuda do comparsa

 

Polyana Nicolau

 

O ex-porteiro do Bloco C da 113 Sul chegou a Brasília no início da tarde de ontem, por volta das 13h. Leonardo Campos Vieira, 44 anos, veio em um jato  que o trouxe de Montes Claros (MG) local onde foi preso por policiais da 8ª DP, do SIA. Em seguida, o acusado foi escoltado por três viaturas da polícia e levado para o Departamento de Polícia Especializada (DPE). De lá, Leonardo foi encaminhado à 8ª DP, onde foi interrogado pela delegada-chefe Deborah Menezes. Paulo Cardoso Santana, que é cunhado do zelador e foi apontado pela polícia como comparsa dele, está preso em Montalvânia (MG) acusado de outro latrocínio (roubo seguido de morte) praticado na região. A justiça brasiliense está negociando a transição dele para o Distrito Federal. 
O ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), José Guilherme Villela, 73 anos, sua mulher, a advogada Maria Carvalho Mendes Villela, 69 anos, e a empregada da família, Francisca Nascimento da Silva, 58 anos, foram brutalmente assassinados com 72 facadas em 28 de agosto do ano passado. O cenário da barbárie foi o apartamento que o casal morava no Edifício Leme, na 113 Sul.
De acordo com o diretor-geral da PCDF, delegado Pedro Cardoso, o caso Villela, como ficou nacionalmente conhecido, ainda não está completamente solucionado. Segundo ele, a polícia não descarta a participação de uma terceira pessoa envolvida no triplo assassinato. “Embora tenhamos a narrativa de Leonardo e Paulo que confessaram o crime, além do receptador que também foi encontrado com algumas jóias roubadas do apartamento dos Villela, não descartamos a participação de uma terceira pessoa, mas ainda não sabemos quem é ela. A fala de Leonardo bate com o resultado da perícia. Com a prisão de Leonardo e Paulo faremos novas diligências, provas testemunhas e periciais para ver se existe harmonia entre elas. Será uma nova fase com novos elementos. Vamos refazer também a rota de fuga dos acusados. Quando o Paulo chegar a Brasília o quadro se completará”, disse.
O diretor explicou ainda que o inquérito vai permanecer no comando da Coordenação de Investigações de Crimes Contra a Vida (Corvida). E assumiu que durante a sua gestão ocorreram alguns equívocos, como por exemplo, falhas técnicas da polícia durante alguns momentos das investigações. “Não tenho condições de falar onde ocorreu o erro e nem responder a algumas perguntas. Mas houve falhas em alguns momentos da investigação. Quando assumi a gestão, houve o afastamento da delegada Martha Vargas, que chefia o início das investigações na 1ª DP. Em relação à falha técnica, cito como exemplo o excesso de entrevistas e o caso da vidente. O Caso Villela foi mais falado do que investigado. Ainda temos muitos caminhos a trilhar”, ressaltou.

Versão do ex-porteiro
Em entrevista para a imprensa, Leonardo descreveu detalhes do crime. Segundo seu depoimento, o ex-porteiro teve acesso ao apartamento pela porta da área de serviço, que estava aberta. Antes disso, durante os 15 anos que trabalhou como zelador havia entrado no apartamento outras duas vezes para ajudar o pedreiro que estava fazendo reparos no local. “Encontramos a porta de serviço aberta, não pegamos chave nem para entrar nem para sair do prédio. Subimos e ficamos esperando seu José chegar. Quando ele chegou e abriu a porta para entrar em seu apartamento, eu e o Paulo fomos logo o empurrando para dentro e deferimos contra ele uma facada. Seu José caiu no chão e do mesmo jeito que ele estava ficou. Depois fui revirar o apartamento junto com Paulo. Neste momento, a dona Maria chegou. Ela nos deus R$27 mil e algumas joias. Mas, mesmo assim, nós a matamos. Quando estávamos indo embora, a empregada chegou. Nós a esfaqueamos quando ela ainda estava de costas fechando a porta. Ela não chegou nem a nos ver. A empregada foi uma fatalidade, chegou na hora errada. Depois ainda esfaqueamos mais o seu José só para ter certeza que ele realmente estava morto”, disse Leonardo.
O ex-porteiro disse também que depois de assassinar o casal Villela e a empregada, ele e Paulo foram para o Eixão e de lá pegaram um ônibus para a rodoviária e depois outro para a rodoferroviária, de onde fugiram para Montalvânia. “Eu não sei quem limpou a cena do crime, pois eu e Paulo fugimos logo em seguida. Não estávamos sujos de sangue, por isso ninguém chegou a comentar nada na rua. Quando golpeamos os três o sangue não espirrou”, relatou friamente o assassino confesso.
Leonardo afirmou que não pretendia matar o casal, apenas roubar dólares e jóias porque estaria precisando de dinheiro. De acordo com ele, o motivo que o levou a assassinar de forma tão cruel os três moradores do apartamento foi a indiferença com a qual “seu” José, como o acusado o chama, o teria tratado quando o viu em seu bloco. “Um dia eu encontrei “seu” José no prédio e pedi um emprego. Ele me respondeu que se fosse dar emprego para todo mundo que pedia, teria que abrir uma agência. Não houve planejamento nenhum para roubar ou matar “seu” José, Dona Maria e a empregada. As coisas foram acontecendo. A partir da hora que entrei no apartamento, percebi que estava fazendo uma coisa errada. Estava com raiva porque me senti humilhado e senti medo, por isso matamos. Nós temíamos ser reconhecidos por eles”.  
Leonardo disse também que não conhecia Adriana Villela, filha do casal que continua presa acusada do crime. Mas quando trabalhava no bloco no qual o casal Villela morava, ouviu moradores e funcionários dizerem constantemente que ela era muito ambiciosa. “Muitas pessoas disseram que “seu” José e dona Maria deram um apartamento mobiliado para a Adriana no bloco da frente ao do que eles moravam. Ela não teria gostado da cor e quebrou todos os móveis. Agora eu já vi a neta do casal, a Carolina Villela bater em sua avó, a dona Maria Villela”.

Prisões anteriores 
O Caso Villela deixou a população de Brasília indignada, provocou crises na Polícia Civil e já teve várias reviravoltas que resultaram na prisão de outras pessoas que já foram liberadas por falta de provas, com exceção da filha do casal Villela, a arquiteta Adriana Villela, que se encontra em regime de prisão domiciliar. Em 29 de abril, a delegada Martha Vargas, titular da 1ª DP (Asa Sul) que iniciou as investigações, acabou exonerada. A decisão ocorreu após um laudo do Instituto de Criminalística (IC) apontar que uma chave da casa do ex-ministro e de sua esposa, encontrada em uma casa de Vicente Pires, era a mesma que estava no local do crime no dia em que os corpos dos advogados e da empregada, Francisca foram encontrados. O objeto foi usado para incriminar três suspeitos: Cláudio José de Azevedo Brandão, 38 anos, Alex Peterson Soares, 23 anos, e Rami Jalau Kaloult, 28 anos. Eles, no entanto, foram soltos por falta de provas. O policial civil e ex-braço direito de Martha Vargas, José Augusto Alves, e ex-empregada Guimar Barbosa da Cunha, a vidente Rosa Maria Jaques e o marido dela, João Toccheto também chegaram a ficar atrás das grades.  
Até o fechamento desta edição não havia informações de como a cena do crime foi limpa, sobre as câmeras de segurança do local que não registrou os acusados no prédio, as chaves implantadas e a ausência de provas no local. Leonardo não havia acabado de prestar depoimento na 8ª Delegacia de Polícia, no SIA.

 

Fonte: www.tribunadobrasil.com.br

 
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