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Petistas desprezam os documentos sobre Dilma na ditadura

Na reunião de ontem do diretório nacional, os dirigentes do PT desdenharam a divulgação dos documentos sobre o passado da presidente eleita, Dilma Rousseff, feitos durante a ditadura e que estavam retidos no Superior Tribunal Militar (STM). A cúpula petista avalia que os papéis não vão provocar desgastes à imagem dela, mas, segundo analistas políticos, no período eleitoral, o aparecimento dos dossiês poderia causar estragos na campanha da petista. Apesar de públicos, o STM reteve os documentos por vários meses sob a alegação de que a liberação poderia ter efeitos no pleito de outubro.

Os documentos do Departamento de Ordem Política e Social (Dops) e pelos militares relatam que a presidente eleita pertenceu a várias organizações subversivas em 1970. Nos autos de qualificação da polícia, Dilma afirma aos investigadores que ela e seu então marido Cláudio Galeno Linhares não tiveram participação efetiva em atos que lhes foram imputados. Mas papéis da Auditoria Militar dizem que ela, como integrante da VAR-Palmares — a organização à qual pertencia à época —, assessorou assaltos a bancos, chefiou greves e teria ingressado nas atividades subversivas em 1967. A presidente eleita afirmou, em outras ocasiões, que havia sido torturada durante os três anos de prisão, mas na campanha pouco falou sobre o fato.

“Do ponto de vista da realidade, é lixo”, afirmou o presidente do PT, José Eduardo Dutra, referindo-se aos documentos sob a guarda do STM, que começou a liberar por partes durante a semana. Dutra ressaltou que os papéis só não podem ser destruídos pelo seu valor histórico, mas não surtirão efeitos negativos para a presidente eleita. “É ridículo querer transformar isso em um fato político. E a divulgação dessa ficha não vai provocar desgastes”, acrescentou Dutra, expressando a mesma opinião do ex-deputado José Dirceu.

Para especialistas, a divulgação dos documentos no período eleitoral poderia não mudar o resultado do pleito, mas provocaria estragos na campanha de Dilma. “Eleição e política é sempre imponderável”, observa o cientista político da Universidade de Brasília (UnB) Ricardo Caldas. “Poderiam (os documentos) ter um efeito negativo, mas o candidato José Serra não quis entrar nessa linha, ficou bem moderado”, ressalta Caldas, referindo-se ao tom adotado pelo tucano, que não falou sobre o tema em sua campanha. Para o cientista político, os arquivos relacionados a Dilma poderiam ser o fato novo no período eleitoral.

A opinião de Caldas é a mesma de seu colega Geraldo Tadeu Moreira, do Instituto Brasileiro de Pesquisa Social. Ele não tem dúvida de que a divulgação dos documentos teria surtido efeito nas eleições. “É uma questão controversa, mas, se usados (os papéis), com certeza gerariam uma turbulência grande”, diz o especialista. “Em uma eleição em que o primeiro turno se decidiu por detalhes, tudo pode fazer diferença, mas não acredito que o fato poderia mudar o resultado”, acrescenta Geraldo Tadeu.

Fonte: www.correiobraziliense.com.br/Edson Luiz

 
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