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Preço 26,6% maior neste ano torna a carne indigesta

Levantamento da Fundação Getulio Vargas mostra que a variação mensal do produto chegou a 10,81%. O fenômeno é atribuído ao período mais longo de estiagem e ao aumento da procura no mercado interno e externo

 

Hagner, gerente de um mercado, diz: 'Nunca tivemos preços tão altos' (Zuleika de Souza/CB/D.A Press )
Hagner, gerente de um mercado, diz: "Nunca tivemos preços tão altos"
O encarecimento da carne bovina — movimento nacional que tem como causas a pressão da demanda pelo produto e a escassez após um período de seca prolongada — está sendo sentido intensamente pelos consumidores do Distrito Federal. Os brasilienses têm tomado um susto ao se deparar com as tabelas de preços nos açougues e supermercados. Em um estabelecimento, o corte do filé mignon passou de R$ 19,90 para R$ 34,90, um aumento de 75%. Esse foi o maior aumento encontrado pela equipe do Correio nas ruas. Os dados mais recentes sobre a inflação da carne no DF apontam alta mais moderada, mas, ainda assim, acima da média nacional. O Índice de Preços ao Consumidor – Mensal (IPC-M), calculado pela Fundação Getulio Vargas e divulgado no vigésimo dia de cada mês, mostra variação de 10,81% no valor do alimento em novembro, e alta acumulada de 26,6% de janeiro até 20 de novembro. No Brasil, a oscilação mensal foi de 8,67%, e a acumulada no ano, de 24,81%.

A alta no preço da carne começou a acentuar-se local e nacionalmente em setembro, no auge do período de estiagem (veja quadro). Com as pastagens secas, o gado de corte perdeu peso e a oferta diminuiu. Ao mesmo tempo, a melhora na renda e o aquecimento da economia nacional foram responsáveis por um aumento na procura pelo alimento. A quantidade de exportações também cresceu.

“A demanda por carne vem aumentando tanto no Brasil quanto no exterior. No país, a nossa economia está aquecida, há mais dinheiro na praça e as famílias sentem-se mais à vontade para consumir. Lá fora, alguns mercados que foram afetados pela crise mostram recuperação”, destaca André Braz, economista da FGV. Braz acrescenta que o fato de a seca ter durado mais tempo do que o usual agravou o quadro inflacionário. “Isso aumentou os custos da pecuária”, comenta.

O economista Celso Vilanova, coordenador de equipe que consolida o Índice de Custo de Vida no DF (ICV-DF), divulgado mensalmente pela Universidade Católica de Brasília (UCB), prevê que, embora já tenha voltado a chover — a seca durou de agosto até meados de outubro — ainda deve levar alguns meses para a oferta de carne bovina se estabilizar. “O dono prefere não levar o gado magro ao abate. A situação vai permanecer até haver um equilíbrio entre oferta e demanda”, destaca.

Reações
Entre vendedores e consumidores, a reação é de surpresa frente o nível de aumento da carne. “Trabalho no ramo há oito anos e nunca tinha visto um aumento assim”, diz Gilson Gomes, gerente de um açougue na 107 Sul. No estabelecimento, o quilo do filé mignon chegou a R$ 42,90, R$ 18 a mais do valor de dois meses atrás. O quilo da picanha passou de R$ 21,90, no açougue dele, para R$ 34,90. O da alcatra saltou de R$ 19,90 para R$ 26,90. A nova tabela fez os clientes diminuírem a quantidade de carne que levam. “Quem comprava 8kg está pedindo só 5kg. É complicado, mas a gente tem que repassar os aumentos”, afirma Gilson. Em um mercado da 303 Sul avançou até 75%. O quilo do filé mignon saiu de R$ 19,90, em setembro, para R$ 34,90. “Nunca tivemos preços tão altos”, diz o gerente, Hagner Augusto Aguiar. Para não perder clientela, ele tem feito promoções de carne branca, cujas variações não foram tão altas como a da carne vermelha.

A pensionista Estér Vieira, 86 anos, tem se espantado com o preço da carne. “É uma coisa absurda, nunca vi isso”, diz. Toda semana, ela vai às compras. Nos últimos meses, sentiu o impacto do aumento do produto na hora de pagar a conta. “O pior é que moro com dois netos e eles adoram carne. Não dá para deixar de comprar”, completa.

A PESO DE OURO 

Fonte: www.correiobraziliense.com.br/Mariana Branco/Diego Amorim

 

 

 
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