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Obras na EPTG têm provocado alagamento e destruição em imóveis da região

Com a proximidade do verão, as chuvas aumentam e não perdoam os lugares por onde passam. Os 48,6 milímetros de água que caíram do céu ontem causaram transtornos aos moradores da Colônia Agrícola Samambaia. A enxurrada desceu da Estrada Parque Taguatinga (EPTG) e inundou as casas localizadas nos limites da Chácara 122. Em três delas, a força da tempestade da madrugada derrubou muros. Mesas, sofás, armários e outros objetos do restante dos imóveis da região exibem marcas da lama trazida com as enchentes.

Por volta de 2h30, a água se acumulou no muro do vizinho do comerciante Miguel Perides, 53 anos. Em poucos minutos, a parede cedeu e invadiu a residência dele. O quintal virou um rio de tijolos, cimento e lama. O depósito nos fundos do imóvel desabou e a mesma coisa aconteceu. A água atravessou todo o jardim e entrou no terreno do servidor público Eduardo Cambuy, 26 anos. Com a crescente enxurrada, o muro dele também não resistiu. O estrago, que só parou depois de passar pela casa de Eduardo, deixou a Rua Flor da Índia cheia de terra e pedregulhos.

Os moradores culpam as obras da EPTG pelos problemas de escoamento pluvial da região. “A pista não tem condições de absorver toda a chuva. Por isso, a água desce muito rápido e inunda as nossas casas”, arriscou Eduardo. O servidor público contou que, durante 20 anos, nunca vivenciou algo parecido na Colônia Agrícola Samambaia.

A assessoria de imprensa da Administração Regional de Vicente Pires informou que uma reunião será realizada até amanhã para tratar da questão. O órgão só se comprometeu a adotar medidas emergenciais, como a abertura de valas, pois não tem competência administrativa para interferir nas obras da EPTG. A reportagem entrou em contato com a Secretaria de Transportes do DF, mas não teve retorno.

Protesto
Inconformados com a situação, alguns moradores fecharam a rua de acesso à Chácara 122-B com pedaços de concreto, pneus e galhos de árvores. O pintor Nildo de Sousa Bezerra, 39 anos, reclamou do descaso. “Sempre que chove, é um tormento. O único jeito de chamar a atenção das autoridades é fazer um protesto”, afirmou. A manifestação terminou à tarde.

As chuvas deixaram marcas em outros pontos do Distrito Federal. Por volta de 16h, em frente ao Jardim Zoológico de Brasília, a Estrada Parque Guará ficou alagada. O problema é recorrente na pista recentemente revitalizada, entregue em julho pelo Governo do DF. Segundo o Departamento de Estradas de Rodagem (DER-DF), a água fica empoçada porque falta um bueiro na pista. O órgão garante que as obras de instalação do equipamento começam hoje.

As previsões apontam que as chuvas não vão dar trégua. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), dezembro registrou até agora mais de 100mm de precipitações na estação central de observação, quando a média para o mês é de 248mm. “Não há qualquer anormalidade. Já estamos praticamente no verão, quando as chuvas são por vezes fortes e duram um pequeno espaço de tempo”, explicou o meteorologista Manoel Rangel, do Inmet.

 

Fonte: www.correiobraziliense.com.br

 
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