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Restaurantes esperam movimento 10% maior em função das posses no dia 1º

Quem pensa que a cidade ficará vazia com o recesso de fim de ano pode estar enganado. Com as cerimônias de posse do novo governador do DF, Agnelo Queiroz, e da presidente eleita, Dilma Rousseff, ambos do PT, grande parte dos brasilienses deve comemorar o réveillon na capital. Além disso, comitivas de correligionários de vários estados devem chegar ao Planalto Central. De olho no movimento pouco comum da última semana deste mês, os donos de restaurantes se preparam para incrementar os cardápios, decorar o salão e garantir o maior número de clientes que vão brindar a chegada do novo ano.

O Sindicato dos Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Brasília (Sindhobar) prevê o crescimento de 10% no faturamento das empresas do setor em comparação com 2009. O presidente da entidade, Clayton Machado, afirma que os primeiros dias de janeiro prometem engordar os caixas dos estabelecimentos gastronômicos locais. “A cada quatro anos, Brasília tem a vantagem de receber políticos e pessoas do país inteiro por conta das mudanças no governo. Com a presença dos visitantes, o movimento vai ser diferenciado”, observa.

A estimativa atrai os empresários. No Villa Borghese, da 201 Sul, a vinda de turistas dos quatro cantos do Brasil definiu como seria o funcionamento das últimas semanas do ano. A proprietária do estabelecimento de comida italiana, Ana Toscano, decidiu fechar as portas apenas durante o Natal. “Preferi dar a folga aos funcionários antes. Depois, trabalhamos todos no réveillon, que é sempre mais concorrido em decorrência da posse. Quando Lula assumiu, a quantidade de clientes começou a aumentar nas vésperas. A procura duplica e surgem as filas de espera”, explica.

Os moradores do DF que não vão dar as boas-vindas a 2011 no litoral ou na casa de parentes distantes também serão responsáveis pela melhoria nos lucros dos comerciantes. O presidente do Sindhobar acredita que muita gente se viu obrigada a permanecer em Brasília. “Não importa o nível de escalão, boa parte dos brasilienses está envolvida com a política e com os trabalhos da posse.  É uma festa cívica”, afirma Machado. Segundo ele, a mobilização reflete, em especial, no movimento dos restaurantes do Plano Piloto.

Diferença
Reduto de políticos a qualquer mês, o Piantella tem as mesas ainda mais lotadas nos réveillons seguidos pelas cerimônias de mudanças na Presidência da República. O maître Francisco das Chagas Alves, responsável pelo salão do estabelecimento desde a inauguração, em 1977, explica que a noite da virada tem público cativo. Segundo ele, no entanto, os almoços e jantares das vésperas e dos dias seguintes ao réveillon ocorrem com casa cheia em época de transição de governo. Para garantir que os trabalhos corram com normalidade, segundo ele, as férias foram suspensas este mês. “A diferença começará a ser sentida no início da semana. O quadro de funcionários tem de estar reforçado”, afirma.

Se a chegada dos visitantes altera a rotina do comércio de quadra do Plano Piloto, o que dirão os restaurantes localizados em hotéis? O Da Noi fica em um hotel nas proximidades da Vila Planalto e funciona 24 horas por dia, mas na noite do dia 31 haverá um jantar especial. De acordo com o proprietário do estabelecimento, Dudu Camargo, turistas que vêm assistir à posse reservaram mesas no evento. O Dudu Bar, outro estabelecimento do empresário, também contará com festa de réveillon e funcionará no dia seguinte. “O aumento no movimento é nítido e sempre tem as pessoas que procuram de última hora”, afirma.

Os responsáveis pelo Carpe Diem também sentiram os efeitos das projeções do Sindhobar. Ricardo La Rocque, administrador do estabelecimento e filho do proprietário, conta que, em 2010, o movimento deste mês foi maior do que o de anos anteriores. “As últimas semanas de dezembro normalmente são pouco produtivas. Mas, desta vez, os clientes continuaram vindo”, constata. Realizada há anos, a festa de réveillon do restaurante já vendeu quase todos os ingressos.

A abertura das portas em 1º de janeiro também é uma das saídas encontradas pelos empresários do ramo para obter mais lucros. Renata Agostinho, supervisora dos restaurantes do Grupo Mara Alcamim, conta que o Universal Diner vai funcionar no dia da posse. “Mesmo quem deu um jeito de fugir da cidade vai voltar para trabalhar ou assistir à posse”, justifica Renata.

 

Fonte: www.correiobraziliense.com.br

 
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