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Balança... mas não cai!

  

Um dos monumentos arquitetônicos mais conhecidos da capital da República, a ponte Juscelino Kubitschek, às vésperas de completar 10 anos de idade, na quinta-feira, dia 21, para a surpresa geral, teve de ficar interditada durante seis horas, o que causou grande engarrafamento, principalmente porque é uma das vias mais importantes para o acesso ao Lago Sul. E tudo por causa de uma fissura na pista principal, o que provocou oscilações na estrutura da construção, situação esta que levou os engenheiros envolvidos a acionar o alarme de perigo.

Ironicamente, não foram os engenheiros que descobriram a falha estrutural na obra – o que deveria ser sua obrigação –, mas sim um ciclista que passava pela ponte e percebeu a instabilidade do alicerce. Em seguida, ele acionou imediatamente o Corpo de Bombeiros, que por sua vez comunicou o fato aos organismos envolvidos, a Universidade de Brasília (UnB), a Defesa Civil e a Novacap, responsável pela construção da ponte. Coube ao professor Guilherme Sales Melo, engenheiro do Departamento de Engenharia Civil e Ambiental da UnB, constatar, depois de uma avaliação na estrutura da ponte, que algo estava errado. “Encontramos um desnível entre três e quatro centímetros”, concluiu o engenheiro, para logo em seguida ressaltar: “O ideal é que a dilatação seja mínima”.

Diante das primeiras versões, surgiu a paranoia de que a ponte poderia ruir, um exagero que os especialistas logo trataram de afastar. Mas eles admitiram, no entanto, que a ponte foi negligenciada nos últimos anos, justamente por falta de manutenção, procedimento este que deveria ocorrer com frequência, como seria o correto tecnicamente. O transtorno foi logo instalado na ponte, a partir da limitação de velocidade no tráfego (a 40km/h), o que transformou o acesso à ponte em uma versão do cenário de “Um Dia de Fúria”, filme protagonizado por Michael Douglas, sobre um infernal congestionamento de veículos em Los Angeles. Brasília também teve um ensaio do que aconteceria caso a ponte ficasse interditada sem previsão de retorno à normalidade.

O governador Agnelo Queiroz, ao tomar conhecimento da situação, desde a pri-meira hora determinou que todas as equipes técnicas se desdobrassem para encontrar uma solução definitiva para o desnivelamento. Além disso, asseverou que todos os recursos técnicos fossem destinados para uma solução definitiva do problema, que começou com a dilatação da estrutura da ponte. O caso levou a Secretaria de Obras a providenciar a aquisição de novas peças para proceder à substituição. O governador, ao acompanhar toda a execução, decidiu que dali por diante a ponte será monitorada, como também todas as outras pontes e os viadutos do Distrito Federal.

Agnelo Queiroz determinou que seja providenciada uma licitação para escolher uma empresa qualificada tecnicamente para se encarregar da manutenção. Na ocasião, ele estranhou a omissão que prevalecia: “Também é um risco ao patrimônio da nossa cidade. Não podemos passar anos com uma estrutura dessa sem manutenção. Não queremos que isso aconteça novamente na capital da República”.

Na segunda-feira, a velocidade da via, de 60km/h, continuou a ser mantida nos 40km/h, o que reforçou ainda mais o transtorno para os moradores do Lago Sul que se dirigiam para o Plano Piloto. Ativo e de prontidão, acompanhando a situação, o secretário de Obras, Luiz Pitiman, para agilizar uma solução para todo esse caos, solicitou urgência ao Tribunal de Contas do Distrito Federal na liberação dos meios necessários para a aquisição das peças de reposição.

Para o arquiteto Alexandre Chan, que concebeu a ponte JK, tendo em vista que ela é urbana, seu projeto teve de ser diferenciado. Nesse sentido, o projeto da ponte JK o faz se lembrar de Veneza, que é cheia de pontes assim. “Por isso mesmo, o programa da ponte do Lago se diferencia do que normalmente se vê em pontes, ou seja, a localização rodoviária é afastada da cidade. Esse aspecto já introduz no programa diferenças que apareceram até mesmo no edital governamental: a necessidade de ser um objeto que extrapolasse o utilitarismo normal em pontes; não só a travessia, mas um marco referencial urbano”, acrescenta.

Alexandre Chan, em entrevista a Brasília Em Dia, ressaltou que o critério funcional estava incluído em todas as etapas da obra. Mas, para ele, isso não significa que se deve considerá-la apenas funcional ou tradicional, pelo fato de que ela permite a travessia do lago de um lado para o outro, conduzindo pessoas e veículos. Ele ressalta que existem também outras funções. A sua explicação é a seguinte: “Em toda a arquitetura de Brasília, esta função transparece em toda a obra de Oscar Niemeyer, extrapolando a condição de utilidades destes objetos arquitetônicos. No caso da ponte, só aumenta mais ainda como um objeto que vemos diariamente, nas idas e vindas. Portanto, ela se insere no contexto de marco referencial, que vai além daquela funcionalidade original: ela pega uma nova função, de aspecto às vezes subjetivo, que concorre para esse aspecto de visão do belo que se tem diariamente, necessário dentro da crescente neurose da vida urbana”.

Fonte: Brasília Em Dia

 
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