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A partir de 1º de março, Caje não poderá mais receber jovens infratores

A partir do dia 1º de março, o Centro de Atendimento Juvenil Especializado (Caje) não poderá realizar internação de  adolescentes que cometeram atos infracionais. A decisão, da 1ª Vara da Infância e Juventude, foi baseada em ação do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), que apontou que o centro não tem mais condições de receber jovens para ressocialização. Apesar da proximidade do prazo limite, o Governo do Distrito Federal (GDF) ainda não definiu o que será feito com a estrutura e nem para onde serão encaminhados os adolescentes infratores a partir da data estabelecida.

 

O MPDFT avaliou, na ação que provocou a decisão, que a unidade não é adequada para a ressocialização de crianças e adolescentes infratores. “Chegou-se à conclusão de que o Caje não tem condições de abrigar esses jovens. É uma estrutura antiga, que permite que os jovens tirem estacas para usarem como armas. Também  não há espaço  para realização de oficinas e escolas, que funcionam precariamente. Depois de diversas tentativas e ações, como nada foi feito, tomamos essa decisão. Queremos saber o que o GDF vai fazer”, avalia a promotora Ana Carolina Marquez.

 

Em princípio, o Caje não será fechado. “Os meninos vão continuar lá, mas o centro não poderá receber novos adolescentes”, afirmou Marquez. A recém-criada Secretaria da Criança, que passou a ser responsável pela administração do Sistema Socioeducativo do DF,  foi procurada, mas não quis comentar o assunto. De acordo com o órgão, o GDF está definindo as diretrizes para o sistema.

 

Um ex-agente de segurança da unidade, que preferiu não se identificar,  denunciou diversas situações que acontecem com frequência no local. “Sempre acontecem inícios de motins. Já recebi diversas ameaças, inclusive  entrei em confronto com os jovens. Alguns recebem tratamento diferenciado de outros”, contou. Para ele, é difícil promover a ressocialização dos jovens nessas condições. “O centro é uma escola do crime. Todos sabem que  o jovem entra lá e sai bem pior. O contato com outros infratores o torna mais perigoso”, disse o monitor, que trabalhou por quatro anos na unidade.

 

 

Fonte: Da redação do Jornal de Brasília/ João Pedro Netto

 
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