Mulheres na política
A mulher nunca teve o espaço que tem, hoje, na política brasileira. Mesmo que a participação feminina ainda esteja aquém de um ideal de igualdade em relação aos homens, o fato de uma mulher estar ocupando a Presidência da República, principal posto de comando no sistema político brasileiro, já representa um grande avanço. Em seu primeiro pronunciamento após a eleição, no dia 31 de outubro, Dilma Rousseff já se posicionou em defesa da luta pela igualdade de gênero. "Este fato, para além de minha pessoa, é uma demonstração do avanço democrático do nosso país: pela primeira vez uma mulher presidirá o Brasil. Já registro, portanto, aqui meu primeiro compromisso após a eleição: honrar as mulheres brasileiras, para que este fato, até hoje inédito, se transforme num evento natural", afirmou.
Nestes dois primeiros meses no comando do país, Dilma Rousseff (PT), além de impor seu estilo de governar, diferenciando-se, e de forma positiva, do ex-presidente Lula, também já deu forte contribuição à luta das mulheres por mais espaço nas instâncias de poder. Não só houve avanço no número de mulheres à frente de ministérios, como também houve a preocupação em nomeá-las para postos de maior relevância na estrutura do poder, e não somente para funções tidas como de menor importância. Bons exemplos dessa ocupação de espaços são as ministras do Planejamento, Mirian Belchior, da Cultura, Ana de Holanda e do Meio Ambiente, Izabela Teixeira.
Tão importante ou talvez até mais do que o espaço que as mulheres têm ocupado na administração federal é, também, a afirmação do estilo de governar de Dilma Rousseff. As demonstrações de competência técnica e o modo às vezes duro e direto de encarar questões problemáticas e de cobrar ações de sua equipe contribuem para a quebra de um paradigma cultural que ainda persiste no país. Trata-se de um paradigma que remete a mulher à condição de um ser frágil, cujo papel na sociedade está mais ligado às funções de mãe, esposa etc. Algo que o movimento feminista combate desde o seu surgimento.
Para não entrar no contexto de uma discussão mais aprofundado sobre a mulher e seu lugar na sociedade atual, volto à tecla da participação feminina nas esferas de poder. Se não há mais mulheres em ministérios, certamente, a culpa não é de Dilma. A composição de um governo se dá pela divisão dos cargos entre os partidos que apoiaram o projeto político vencedor. Mesmo com a lei de cotas, que estabelece que os partidos devem preencher 30% da chapa de candidatos proporcionais (às câmaras e assembleias) com mulheres, a participação feminina nos partidos é pequena. Nas eleições de 2010, por exemplo, menos de 20% dos partidos e coligações alcançaram o percentual mínimo de candidaturas femininas.
Este dado que expõe a dificuldade ou mesmo a resistência dos partidos políticos em cumprir a determinação legal explica o fato de, também nas eleições 2010, o número de deputadas federais ter sido menor do que na legislatura anterior. Eram 45 e agora são 43 deputadas federais. Isso significa que apenas 8,4% dos 514 deputados que compõem a Câmara Federal são mulheres. Em Goiás, também diminuiu a participação feminina nos poderes Legislativo e Executivo.
Para a Assembleia Legislativa, somente duas mulheres, Sônia Chaves (PSDB) e Isaura Lemos (PDT), foram eleitas. Na Câmara Federal, a petista Marina Sant'Anna assumiu o cargo como suplente da coligação PMDB/PT. As deputadas federais Iris Araújo (PMDB) e Flávia Morais (PDT), ficaram entre os mais bem votados da bancada federal goiana. Na Câmara de Goiânia, são duas mulheres entre os 33 vereadores: Cidinha Siqueira (PT) e Tatiana Lemos (PDT). No governo do Estado, a participação feminina no primeiro escalão se restringe à titular da Secretaria da Mulher, Glaucia Teodoro. Tais dados mostram que a luta dos movimentos pela igualdade de gênero ainda tem longo percurso à frente, principalmente em Goiás, mas já mostram também alguma evolução da participação feminina na política.
Fonte: Tribuna do Planalto
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