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POLÊMICA

Requião toma gravador de repórter no Senado 25.04.2011
Imagens ABC
Roberto Requião perdeu o controle

 O senador Roberto Requião (PMDB-PR) tomou e apreendeu o material de trabalho de um repórter que o entrevistava nas dependências do Senado na tarde de ontem. O jornalista Victor Boyadjian, da Rádio Bandeirantes, questionou o parlamentar sobre a aposentadoria vitalícia que ele recebe do governo do Paraná, em virtude dos mandatos exercidos no comando do estado. O contexto da pergunta era o posicionamento do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o pagamento de benefícios a ex-governadores, julgamento que voltará à pauta da Corte neste semestre. Requião tirou o gravador das mãos do repórter e seguiu com o material para seu gabinete. 

O jornalista recorreu à Polícia Legislativa do Senado para reaver o equipamento, mas os agentes disseram que apenas o corregedor da Casa teria poderes para interpelar um parlamentar. A Corregedoria está vaga desde a legislatura passada, quando o último titular do cargo, Romeu Tuma (PTB-SP), morreu. 

Após a insistência do repórter no gabinete do parlamentar, o gravador foi devolvido, mas sem o cartão de memória em que o profissional guardava a entrevista de Requião e outras gravações feitas ao longo da segunda-feira para reportagens da rádio. A reportagem procurou o gabinete do senador paranaense, mas o ex-governador não quis se pronunciar.

Em seu Twitter, Requião reclamou que a entrevista foi "agressiva" e disse que algumas perguntas da imprensa se assemelham à prática de bullying. "Acabo de ficar com o gravador de um provocador engraçadinho. Numa boa, vou deletá-lo." E continuou: "Jornalistas querem transformar entrevistas em bullying. Censura não, respeito, sim".

Empresas de jornalismo e repórteres foram alvos da crítica do senador, que classificou os profissionais de "catigoria" (sic). "O jornalista agressor esta conseguindo o sucesso que pretendeu, e a "catigoria" está alvoroçada. A discussão é boa. Sou dono da minha entrevista e da minha opinião. Agressividade irritante e desnecessária", escreveu Requião no microblog, acrescentando, ainda, que divulgaria o áudio da entrevista em seu site pessoal. "Vou postar na íntegra a entrevista que neguei ao repórter. Que tal ouvirem antes do corporativismo histérico?", provocou. 

Victor Boyadjian reclamou que, ao apagar os arquivos do cartão de memória, Requião acabou com um dia inteiro de trabalho, pois as demais entrevistas realizadas estavam armazenada no dispositivo. "Acreditei que não receberia o gravador de volta. Não é justo ele ter o material e eu não. Eram arquivos de um dia inteiro de trabalho", conta Boyadjian.

Fonte: Correio Braziliense

 
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