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Arruda: "Minha vida acabou"

 O ex-governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (sem partido), disse ao deputado federal Alberto Fraga (DEM-DF) que sua "vida acabou" e que agora sua prioridade é "pensar em como reconstruí-la". Fraga é amigo de Arruda e ex-secretário de Transportes da gestão do ex-democrata.

A conversa ocorreu na noite de ontem, por telefone, logo após o STJ (Superior Tribunal de Justiça) mandar soltar o ex-governador e mais cinco aliados que estavam presos há dois meses após a tentativa de suborno de umas das testemunhas do mensalão do DEM.

Segundo Fraga, Arruda está abalado ainda com a prisão e tem falado pouco. "Ele me disse ontem: "a minha vida acabou, vou pensar em como reconstruir".

Sem falar quais seriam os erros do ex-governador, Fraga disse que o ex-democrata tem consciência que falhou. "Tivemos uma conversa logo após a prisão. Ele acha que errou, tem consciência disso, mas a imprensa criou um quadro de injustiça jamais visto. Tem assaltante, bandido, estupradores soltos e um ex-governador ficou preso 61 dias pela pressão da imprensa".

O deputado aconselhou Arruda a sair de Brasília com a família por alguns dias. "Ele precisa respirar, descansar um pouco, aproveitar a família", disse.

Fraga disse ainda que em nenhum momento do telefonema Arruda falou de política. O o ex-governador afirmou que a vida pública não é mais sua prioridade. "Ele não quer falar sobre política. Ele não quer saber o que está acontecendo. Ele quer a família dele", afirmou.

Arruda deixou a prisão e seguiu para sua casa em bairro nobre de Brasília. Nesta terça-feira, ainda não houve nenhuma movimentação no local.

O ex-governador foi preso após a tentativa de suborno do jornalista Edson dos Santos, o Sombra, uma das principais testemunhas do esquema de arrecadação e pagamento de propina.
Com informações da Folha de SPaulo

Para advogado de Arruda, ex-governador virou "bode expiatório" do país

Após tentativas frustradas de revogar a prisão de José Roberto Arruda (sem partido), o advogado Nélio Machado voltou a repetir ontem que as acusações de que o ex-governador comandava o esquema de propina no Distrito Federal são "incipientes e que serão reduzidas à própria insignificância".

"Nós vamos demonstrar os absurdos, os excessos, os descomedimentos [do inquérito]. Elegeu-se o governador Arruda como bode expiatório da República", disse Machado.

A defesa, segundo ele, vai trabalhar para mostrar que Arruda não tem ligação com o mensalão do DEM. "As acusações surgiram de pessoas que não têm credibilidade", disse.
Machado voltou a dizer que Arruda não cogita voltar para a vida pública. "Ele quer o retorno da paz e da saúde. Ele quer voltar para a família."

Arruda responde a duas ações no STJ (Superior Tribunal de Justiça), por tentativa de suborno a testemunha e por falsificação de recibos para mascarar propinas. Ainda não foi apresentada denúncia sobre o mensalão do DEM.

Decisão

No início da sessão do STJ, Machado elogiou a trajetória do ministro Fernando Gonçalves, relator do caso, em evento de homenagem ao magistrado, que se aposentará no dia 20.

Por oito votos contra cinco, o STJ mandou soltar nesta segunda-feira Arruda (sem partido) e mais cinco aliados que estão presos por atrapalhar as investigações do mensalão do Distrito Federal--suposto esquema de arrecadação e pagamento de propina).

O ex-democrata está preso desde o dia 11 de fevereiro na Superintendência da Polícia Federal pela tentativa de suborno do jornalista Edson Sombra, testemunha do processo que investiga o esquema de corrupção no Distrito Federal.
 
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