INSEGURANÇA» Secretaria de Segurança admite que faltam quatro mil policiais no DF
Secretaria de Segurança admite que déficit de policiais afeta mais o Plano
O drama vivido pelos reféns da 711 Sul confirma o aumento da criminalidade e da insegurança nas quadras 700. Dados do 1° Batalhão da Polícia Militar (BPM), na Asa Sul, apontam que, de janeiro a abril deste ano, 15 ocorrências, entre furtos e roubos, foram registradas apenas no local onde dois bandidos fizeram ontem quatro mulheres reféns. O número de casos encosta no total de 2009, quando houve 17 assaltos só na 711 Sul — a localidade ocupou o topo das mais perigosas daquele ano, entre as 36 quadras das 700. Em 2009, a 1ª Delegacia de Polícia, responsável pela área, investigou 1.153 crimes na Asa Sul, o equivalente a três ataques por dia.
O comando do 1° BPM acredita que os atuais 390 policiais militares não são suficientes para a região. “Precisaríamos de mais uns 200 homens, principalmente nas áreas comerciais”, avaliou o tenente-coronel Luciano Teixeira — deficit parecido existe na Asa Norte (leia matéria abaixo). Além da 711 Sul, outras quadras da Asa Sul fazem parte dos pontos considerados mais críticos pela Polícia Militar. São elas: 403, 109, 715, além do Setor Comercial Sul.
O secretário de Segurança Pública, Sandro Avelar, admitiu que o Plano Piloto é uma região crítica na questão da criminalidade. Para tentar inibir a ação de bandidos nas asas Sul e Norte, ele prometeu intensificar o patrulhamento. “Estamos avaliando os pontos em que há a necessidade de aumentar o efetivo”, afirmou.
O secretário também admitiu que a PM trabalha hoje com uma defasagem de cerca de 4 mil servidores, o que dificulta o emprego da tropa com mais eficiência. Hoje, a corporação conta com 14 mil policiais. Desses, segundo o secretário, 7 mil estão destacados para o policiamento ostensivo, mas, por causa de algumas escalas de plantão, apenas 2,7 mil diariamente combatem a violência. Avelar disse que 800 recrutas devem começar a trabalhar nos próximos meses.
Piora
Morador da 711 Sul há 25 anos, o empresário Kasser Vilela, 54 anos, teve os quatro pneus do carro furtados no ano passado. Ele revelou estar cansado de ouvir relatos de crimes nas proximidades da casa dele. “A polícia passa, a viatura faz barulho somente para afastar os criminosos e vai embora rapidamente”, relatou.
Na 302 Sul, o problema da insegurança atinge o comércio. Vendedor há quatro anos em uma drogaria, Diego Rodrigues, 26 anos, conta que o local é bastante visado por assaltantes. “Quase toda semana tem assalto aqui. Acontecem muito furtos de e em carros. Percebo que a bandidagem tem piorado mesmo”, comparou.
O vice-presidente do Conselho Comunitário da Asa Sul, Arthur Benevides, recebe reclamações diárias de moradores do bairro. Muitos afirmam que a polícia só aparece após o ataque dos bandidos. Levantamentos feitos pela entidade apontam que, a cada dia, uma quadra da Asa Sul é alvo de roubos. “Não tem jeito, temos que ter mais policiamento nas ruas. Os homens que hoje cuidam da nossa segurança não dão conta. E os postos da PM nunca serviram de nada para a gente”, criticou.
Os postos comunitários de segurança construídos no governo anterior ficam localizados em pontos distantes daqueles apontados como problemáticos pelo comando do 1º BPM. As estruturas foram erguidas nas quadras 416, 704, 709, 713, no Setor Comercial Sul, no Parque da Cidade e na Vila Telebrasília.
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Moradores, conselho comunitário e até a polícia reconhecem a carência de efetivo na Asa Sul. Muitos reclamam que a PM só aparece após a ação dos bandidos, como o crime da 711 Sul

